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A Presença Contagiosa

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 AQUÉM OU ALÉM DAS ESTRATÉGIAS

 

 

 

 

A PRESENÇA CONTAGIOSA

 

(ERIC LANDOWSKI)

 

 

 

 

Até 1960, a Semiótica se aplicava a textos enunciados e o objetivo de suas descrições era destacar a arquitetura conceitual e seu "conteúdo ideológico".

A partir de 1970, os semioticistas passaram a perceber que os processos de construção do texto constituem um jogo complexo de relações entre os objetos lidos e o fazer interpretativo.

Daí nasceu a idéia da Semiótica das Situações, isto é, uma semiótica da experiência sensível.

Nesse contexto, a novidade dos anos 1990, é que independentemente das relações que mantemos na ordem do TER, em relação ao nosso meio ambiente, tanto entre os sujeitos existem também certos laços na ordem do SER. E que Landowiski já previa em "Presenças do Outro" e agora vem aprofundar neste documento. Para explicar precisa-se entender que o termo contágio será usado como forma de representação do processo de comunicação e para consolidar o processo de UNIÃO. Como exemplo: a gripe e o riso, ambos são contagiosos, a gente os pega ao entrar em relação com outrem e ambos mudam o estado da pessoa. A gripe precisa de um agente transmissor, o vírus, mas o riso por si só pode levar o outro ao riso, principalmente quando não se deve rir.

Quando alguém nos faz rir, nossa resposta resulta de um processo cognitivo que consiste na avaliação do discurso do outro. Decorre daí o intercâmbio: cálculo de persuasão do lado do enunciador que faz graça com objetivo de fazer rir, e, do lado do enunciatário sem saber apreciar e se ele ri, será com razão, porque "vale a pena". Assim como rimos de algo que vale a pena rir, podemos também começar a "desejar" assim que é colocada em nosso caminho alguma coisa _ ou melhor, alguém desejável.

Nos dois casos, dá a meu próprio estado a minha alegria (rindo) ou a desejabilidade é preciso saber decodificá-la e para isso, é preciso ter aprendido a decifrar certas marcas que permitem reconhecer erotizáveis ou cômicos. Esse aprendizado se efetua quase sem saber.

A estética social do corpo que nos é proposta (ou imposta) funciona como isca de um corpo dado a visão em imagem para outro para fins de sedução, em vista de novos avaliações e implica em provocar o desejo. Para um corpo ser percebido como desejável, é preciso que já se tenha passado para outra dimensão, a do puro sensível, qualidade necessária de uma presença diante de nós, isto é, o desejo ou o riso só tem sentido entre aquele que sente e aquele que é sentido ou contágio. Então eu não rio mais de qualquer coisa, mas com alguém, da mesma forma, o que me faz "desejar" não é mais a visão de algo no outro, mas minha apreensão de uma presença em pessoa como totalidade. Não se trata de um "desejo de" _ dessa ou daquela qualidade do parceiro. Esse desejo se forma na relação com o outro pela sua co-presença.

A segunda forma de contágio, "afetiva" quanto a sua extensão poderá fazer nascer casais ou reunir multidões inteiras (política). Vemos neste estágio a noção de um "fazer junto". Essa contaminação do outro que faz com que o segundo se encontre comovido, transformado pelo primeiro.

 

 

ALGUNS QUESTIONAMENTOS  QUE LANDOWISKI NOS PROPÕE

 

 

Somos nós que tomamos o outro "presente" ou seria a própria presença do outro que nos invade com uma força oculta?

A contaminação que pode resultar daí é de ordem de assujeitamento irresistível ou somos nós que, sem o saber nos procuramos?

Enfim, se o efeito da presença é da ordem do poder unilateral ou recíproca?

Nesse tipo de situação, cada um dos parceiros da relação sofre a ação do outro.

 

 

OS EFEITOS DA VIDA A DOIS

 

 

De tanto conviverem um com o outro quem passou a parecer com quem, a ponto de eles acabarem por se confundir.  E isto acontece sem que os parceiros queiram, simplesmente em prol de um lento processo de ajustamento recíproco se assemelha a uma forma de desgaste, não como algo negativo, mas como um ganho progressivo de valor e de sentido. Que se pense igualmente sobre a roupa, o carro, a casa, o jardim, se molda pouco a pouco de HESIS do sujeito a sua maneira de estar no mundo.

Ao contrário, uma forma unilateral de contágio tende a fazer o sujeito contaminado percorrer etapa de um programa predefinido pelo outro, nada mais, nada menos de que a clássica MANIPULAÇÃO.

Somente quando a integridade dos participantes é mantida é que se pode ver a gramática do sensível produzir algo novo, inédito: uma obra comum, fruto do ajuste entre corpos - sujeitos ao mesmo tempo autônomos e unidos.

 

 

 

 

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