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A teoria Rizomática e a Literatura

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                           A TEORIA RIZOMÁTICA E A LITERATURA

 

 

            O conhecimento é um todo integrado, mas hoje temos ele dividido em disciplinas e especialidades. Podemos dizer que antigamente o conhecimento era passado de forma oral, depois surgiu a tecnologia escrita e hoje a informática. Todo conhecimento que o homem produziu pode ser encontrado na escrita , em forma de livros.

            Atualmente, na educação, nosso currículo também vê o conhecimento assim , compartimentalizado para facilitar a transmissão de conteúdos. No início, o conhecimento, os saberes foram destinados a filosofia que através da oralidade engendra um saber narrativo mítico.Depois, usando a escrita o saber da humanidade teve uma interpretação da realidade, dando uma noção de verdade.Depois os saberes da filosofia cresceram tanto e começaram  a ramificar-se surgindo novos conhecimentos.

            Surgiu a necessidade de criarem disciplinas específicas e independentes.

            Uma possível superação dessa compartimentalização seria a tendência interdisciplinar,integrando as disciplinas,promovendo uma compreenssão totalizadora.Porém quando esse método é posto em prática nas escolas esbarra em alguns problemas básicos:

  - formação dos professores;

  - compreenssão da equipe pedagógica e dos próprios professores,inclusive pais e alunos,de que existe relação de uma especialidade com as demais.

           Quando compreende-se essa relação também deve ser visto o processo histórico e social um saber.

           Na teoria rizomática de Deleuze e Guattari nos motiva com um conceito de pensamento como rizoma. A metáfora tradicional da estrutura do conhecimento é a ''arbórea'', isto é , como se o tronco da ''árvore do saber'' fosse a própria filosofia, tendo primordialmente todo conhecimento,com o crescimento dessa árvore,adubada pela curiosidade e necessidade do homem,começou-se a desenvolver galhos das mais diversas ''especialidades'',que mantendo ligações com o tronco,nutre-se de sua seiva. Apontando para várias direções guardando ligações históricas de sua criação. Por exemplo: A Ecologia surge de vários campos do saber,mas tem uma relação direta com a biologia,a geografia,a sociologia,a política e até a filosofia.

          Deleuze e Guattari remete-nos pensar em multiplicidade e o conhecimento como uma raiz,colocando em questão a relação intrínsica entre as várias áreas do saber,representadas metaforicamente por linhas fibrosas de um rizoma que se entrelaçam,formando um conjunto complexo.Qualquer ponto de um rizoma (princípio da conexão) pode ser conectado a qualquer outro.Nenhuma conexão é mais importante que a outra, isto é, todos os saberes são importantes e não importa de onde eles partem.Suas multiplicidades de conexões formam um todo completo e único: a árvore.

         Há também a ruptura assignificante, isto é, há uma territorialização (linha do conhecimento) onde não há somente uma significação, pode haver linhas de fuga, outro devir.

         O rizomo pode iniciar-se  por diferentes pontos (princípio da cartografia) possui entradas múltiplas.Um professor trabalhando nessa perspectiva pode levar um poema, um texto informativo, uma música, uma charge, uma imagem etc.Importa começar para dar continuidade. Outro princípio do rizoma é o da decalcomania, onde os saberes devem ser formados e não copiados.

 

        Como trabalhar os saberes nesta perspectiva?

        Félix Guattari propõe a noção de transversalidade entre as várias áreas do saber, integrando-as de forma abrangente, possibilitantando conexões inimagináveis.

                                                                                               Assumir a transversalidade é transitar pelo território do saber

                                                                                               como as sinápises viajam pelos neurônios. (Silvio Gallo )

 

        O trabalho com os conteúdos de maneira transversal significaria o fim da compartimentalização, pois as gavetas seriam abertas e abrindo uma possibilidade de trânsito entre elas.

 

         Como pensar em um método rizomático? Será uma utopia?

 

 

Referência:

 

Gallo, Silvio."Deleuze & Educação".Belo Horizonte, Autêntica,2003.

 

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