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PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Page history last edited by PBworks 13 years, 8 months ago

 

                                                      Proposta de Intervenção

 

 

 

 

Temática: Ensino de Literatura na Formação do Leitor Competente no Ensino Médio

 

 

Justificativa:

 

Buscar intervir na realidade do ensino de Língua Portuguesa e Literatura  no ensino médio. Essa realidade revela índices de reprovação, evasão e comprovadamente o péssimo desempenho nas avaliações do ENEM e péssima colocação na avaliação do PISA.

 Após pesquisas e estudos mais aprofundados verificamos que pela semiótica na análise de textos literários e pela perspectiva rizomática, com toda temática envolvendo os temas, poderemos contribuir  para solução dessa problemática.

 

 

Esse projeto de intervenção propõe novas práticas metodológicas, com vistas à elaboração de análises do texto literário (conto e poemas). Tendo consciência de sua função humanizadora e de que está sempre em função dialógica com o leitor. Houve necessidade de uma grande pesquisa da bibliografia existente sobre as teorias que discorrem a prática da leitura e formação do leitor, e em estudos mais aprofundados, deu-se enfoque a Semiologia, as idéias apresentadas por Roland Barthes, Mickhail Bakhtin, Umberto Eco, Greimas,Stuart Hall no Pós-Modernismo, Antônio Cândido na Literatura, entre outros que se apresentarem durante o desenrolar do trabalho. Isto possibilitará o melhor entendimento de seu processo e das problemáticas que cercam de acordo com as idéias de cada um desses teóricos.

 

Dessa forma, a intenção desse plano de  intervençao  é trabalhar o processo da leitura, por meio da teoria da enunciação por meio da organização do sentido do texto e também em uma perspectiva rizomática, isto é,  após trabalhar um texto, ele gerará um elenco de outros textos; enveredando a aula para outros caminhos. Numa relação exemplificativa, e de acordo com as Diretrizes Curriculares da Rede Pública de Educação Básica do Estado do Paraná, temos: Literatura e Arte; Literatura e Biologia; Literatura e... ( qualquer das disciplinas com tradição curricular), Literatura e Antropologia; Literatura e Religião; Literatura e Psicanálise; entre tantas.

 

As aulas de Literatura pensadas dessa maneira estarão abertas a mudanças súbitas de rumo, atendendo às reações dos alunos, de modo a incorporar suas idéias e as relações  textuais por eles estabelecidas.

 

 

 

 

Objetivo Geral:

 

Operar na perspectiva rizomática tendo como critério não a linearidade do texto ou tema, mas uma proposta que ampliem relações de leitura  e suas múltiplas possibilidades e com a semiótica proporcionar ao aluno um amplo entendimento da funcionalidade do texto e suas intenções.

 

 

 

Objetivos específicos:

 

 

 

·        Usando a metodologia semiótica espera-se que aluno compreenda os sentidos do texto e como aqueles sentidos foram produzidos.

 

·        Após a análise do texto(contos ou poemas), o aluno deverá fazer a recontextualização, encaixando-o em uma realidade  e em uma visão dialógica de leitor.

 

·        Perceber que todo texto possui figuras e temas e que esses temas são elementos abstratos levando a um tema central.

 

·        Perceber as informações implícitas no texto, deixando de ser um leitor funcional.

 

·        Entender que todo texto quer transmitir informação (fazer-saber), convencer ( fazer-crer), e provocar uma ação, transformação ( fazer-fazer).

 

·        Reconhecer  as várias vozes em um texto.

 

·        Desvelar as facetas de poder e de hegemonia discursiva, percebendo nossa identidade latino-americana.

 

·        Reconhecer a função social dos textos e sua interação com outros campos da cultura, capaz de fazer aprimorar o pensamento trazendo sabor ao saber. 

 

 

Fundamentação teórica:

 

 

A TEORIA RIZOMÁTICA E A LITERATURA

 

 

 

O conhecimento é um todo integrado, mas hoje o temos dividido em disciplinas e especialidades. Podemos dizer que antigamente o conhecimento era passado de forma oral, depois surgiu a tecnologia escrita e hoje a informática. Todo conhecimento que o homem produziu pode ser encontrado na escrita, em forma de livros.

 

Atualmente, na educação, nosso currículo também vê o conhecimento assim, compartimentalizado para facilitar a transmissão de conteúdos. No início, o conhecimento, os saberes foram destinados a filosofia que através da oralidade engendra um saber narrativo mítico. Depois, usando a escrita o saber da humanidade teve uma interpretação da realidade, dando uma noção de verdade. Depois os saberes da filosofia cresceram tanto e começaram  a ramificar-se surgindo novos conhecimentos. Surgiu a necessidade de criarem disciplinas específicas e independentes.

 

Uma possível superação dessa compartimentalização seria a tendência interdisciplinar,integrando as disciplinas,promovendo uma compreensão totalizadora.Porém quando esse método é posto em prática nas escolas esbarra em alguns problemas básicos:

 

  - formação dos professores;

 

  - compreensão da equipe pedagógica e dos próprios professores, inclusive pais e alunos, de que existe relação de uma especialidade com as demais.

 

Quando se compreende essa relação também deve ser visto o processo histórico e social um saber.

 

 Na teoria rizomática de Deleuze e Guattari nos motiva com um conceito de pensamento como rizoma. A metáfora tradicional da estrutura do conhecimento é a ''arbórea'', isto é, como se o tronco da ''árvore do saber'' fosse a própria filosofia, tendo primordialmente todo conhecimento, com o crescimento dessa árvore, adubada pela curiosidade e necessidade do homem, começou-se a desenvolver galhos das mais diversas ''especialidades'',que mantendo ligações com o tronco,nutre-se de sua seiva. Apontando para várias direções guardando ligações históricas de sua criação. Por exemplo: A Ecologia surge de vários campos do saber, mas tem uma relação direta com a biologia, a geografia, a sociologia, a política e até a filosofia. Deleuze e Guattari remete-nos pensar em multiplicidade e o conhecimento como uma raiz, colocando em questão a relação intrínseca entre as várias áreas do saber, representadas metaforicamente por linhas fibrosas de um rizoma que se entrelaçam,formando um conjunto complexo.Qualquer ponto de um rizoma (princípio da conexão) pode ser conectado a qualquer outro.Nenhuma conexão é mais importante que a outra, isto é, todos os saberes são importantes e não importa de onde eles partem.Suas multiplicidades de conexões formam um todo completo e único: a árvore. Há também a ruptura assignificante, isto é, há uma territorialização (linha do conhecimento) onde não há somente uma significação, pode haver linhas de fuga, outro devir.  O rizomo pode iniciar-se  por diferentes pontos (princípio da cartografia) possui entradas múltiplas. Um professor trabalhando nessa perspectiva pode levar um poema, um texto informativo, uma música, uma charge, uma imagem etc. Importa começar para dar continuidade. Outro princípio do rizoma é o da decalcomania, onde os saberes devem ser formados e não copiados.

 

 

 

        Como trabalhar os saberes nesta   perspectiva?

 

 

Não basta tão-só ler obras representativas sem relacioná-las com outros textos da época, bem como o de outras épocas. Não tem sentido um aluno ler "Navio negreiro" (Castro Alves), sem relaciona-lo com os poemas de Luís Gama, sem assistir, por exemplo, à "Amistad", ser ler "Negrinha", do Lobato, sem ouvir alguns sambas em que a figura do negro aparece deturpada, ou repensar que "A escrava Isaura" (Bernardo Guimarães), embora cheio de boas intenções, tem por trás de si a intenção de apresentar uma escrava alvíssima, a fim de não ferir as suscetibilidades dos leitores (as) da época. Isso é só um começo rizomático: que dizer das personagens negras de Machado, que geralmente nada falam ou agem infantilmente? (Contribuição do Prof. Mestre Doutorando e GTR, Marcos Hidemi de Lima).

 

 

 

 

 

Félix Guattari propõe a noção de transversalidade entre as várias áreas do saber, integrando-as de forma abrangente, possibilitando conexões inimagináveis.

 

Assumir a transversalidade é transitar pelo território do saber como as sinapses viajam pelos neurônios. (Silvio Gallo )

 

 O trabalho com os conteúdos de maneira transversal significaria o fim da compartimentalização, pois as gavetas seriam abertas e abrindo uma possibilidade de trânsito entre elas.

 

 

 

         Como pensar em um método rizomático? Será uma utopia?

 

 

 

 

 

 

 

 

A TEORIA SEMIÓTICA E A LITERATURA

 

 

O sentido do texto visto pela semiótica com de níveis de diferentes  de abstração que vão da imanência à aparência. Esse caminho, por onde passa o sentido, é denominado percurso gerativo do sentido. Junto à imanência, está o nível das estruturas profundas, onde predomina o maior grau de abstração: a oposição fundamental, sobre a qual está construído o sentido. O quadrado semiótico representa as variações do sentido.

 

Outra etapa da geração do sentido é o nível das estruturas narrativas, onde o sentido se organiza em programas de sintaxe narrativa que se dividem em três percursos: o da manipulação, da ação e o da sanção. Numa sucessão de estados de transformação que visam valores. Greimas reúne esses dois níveis em um só, denominando-o nível das estruturas semio-narrativas (1993, p.160). A seguir, vem o nível das estruturas discursivas, onde os aspectos de tempo, espaço e atores encontram-se interligados em temas e figuras que determinam as isotopias de leituras possíveis. Neste nível discursivo, as relações entre enunciação e enunciado e entre enunciador e enunciatário são examinada  e os valores são tematizados e figurativizados. Este nível, de menor grau de abstração - ou maior complexidade - está mais próximo da aparência, ou seja, da concretude do texto.

 

Esta é a ordem da geração do sentido, ou seja, o percurso do produtor do texto, que caminha do abstrato para o concreto, ou seja, vai revestindo seu texto à medida que o produz. Se para o produtor, o nível profundo é o ponto de partida, para o analista, ao contrário, é o ponto de chegada e o quadrado semiótico representa a articulação do sentido.

 

A Semiótica tem por objeto o texto. Procura descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz. Um texto define-se por duas formas que se completam: ele é entendido como objeto de significação e objeto de comunicação.

 

O texto visto como objeto de comunicação pede que se faça uma descrição dos mecanismos que o estruturam. A semiótica, com sua metodologia própria, consegue fazer uma análise satisfatória de uma obra literária. Concebida como objeto de comunicação, uma narrativa exige uma análise externa, devendo ser examinada em relação ao contexto sócio-histórico que a envolve e que lhe atribui sentido.

 

A semiótica tem procurado realizar uma investigação “interna” e “externa”  do texto, examinando-lhe os procedimentos da organização textual e, os mecanismos enunciados de produção e de recepção de uma narrativa. A leitura remete ao texto e à rede de significações

 

Semioticamente, a leitura é concebida como processo discursivo de apreensão da significação, e o texto, compreendido como articulado em vários níveis de sentido, sendo que o mais externo deles está em contato com o mundo e conseqüentemente, com o leitor.

 

O sujeito-leitor apreende o sentido de mundo através das leituras que faz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A semiótica também se liga com a leitura no nível discursivo do texto, o nível da manifestação, que está relacionado com o mundo exterior ao texto, o contexto. A dimensão figurativa do discurso é responsável pela relação do discurso com o mundo, à medida que “estabelece, na leitura, uma relação imediata, uma semelhança, uma correspondência entre as figuras semânticas que desfilam sob os olhos do leitor e as do mundo (...).” (Bertrand, 2003, p.29).

 

 

6.3 - TEMAS E FIGURAS: A DEPREENSÃO DO TEMA

 

 

 

Texto I - Elementos concretos: FIGURAS

 

 

 

 

 Um asno vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia do feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede. (Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média)

 

 

 

 

Texto II - Elementos abstratos: TEMAS

 

 

 

 

Um indivíduo, colocado diante de dois objetos igualmente desejados, pode ficar de tal forma indeciso que acaba por perder a ambos.

 

 

 

 

Esses dois textos querem dizer basicamente a mesma coisa. No entanto, são estruturados de maneira diferentes Qual a diferença entre eles?

 

O primeiro é mais concreto; o segundo mais abstrato. Mas por quê? O primeiro remete a elementos existentes no mundo natural: asno, campo, feno, regato, águas, etc. O segundo remete a elementos mais abstratos, que explicam certos aspectos da conduta humana: indivíduo, objetos igualmente desejados, indeciso.

 

Aos elementos concretos presentes no texto chamaremos figuras; aos elementos abstratos denominaremos temas.

 

Quando se diz que um texto é figurativo ou temático, na verdade o que se quer dizer é que predominantemente, e não exclusivamente, figurativo ou temático, pois em um texto figurativo ou  pode aparecer temas e vice versa.

 

 

Assim, para entender um texto figurativo é preciso alcançar seu nível temático. Se um leitor ingênuo, ao ler o primeiro texto apresentado permanece apenas no nível figurativo, poderia dizer que o texto não passa de uma grosseira mentira, pois os asnos não têm indecisões. Um leitor mais avisado, porém, procuraria logo um significado mais amplo para o texto, que fosse além desses fatos concretos e mentirosos.

 

 

 

 Temas e figuras pertencem ao léxico de uma língua. O léxico consiste no repertório de palavras de que uma dada língua dispõe. Em sentido amplo, podemos considerar o léxico como sinônimo de vocabulário.

 

A partir do que ocupamo-nos, especialmente, com o texto escrito e vimos explorando a sua plasticidade como estímulo do desenvolvimento de uma atitude científica diante dos atos de ler e de escrever.

Testamos e constatamos a eficiência da exploração da iconicidade textual como estratégia de análise dos componentes da trama textual. Por isso, entendendo o texto como imagem (objeto visual), o potencial do léxico e da distribuição dos enunciados em parágrafos; a importância da seleção lexical na construção das trilhas de leitura; o aproveitamento das informações gramaticais na descoberta das intenções expressivo-comunicativas inscritas no texto, incluindo-se neste plano a seleção do estilo (registro ou dialeto) ajustado ao tema e ao contexto de produção/recepção.

 É necessário que o leitor decodifique os sinais que se apresentam no texto. Serão pistas que irão auxiliá-lo a formar um sentido para aquilo que está lendo.

 

 

 

7.0 ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS:

 

Procedimentos de Leitura e a formação do leitor competente:

 

1-Primeiro passo:

 

 

  • Leitura Estruturalista /Tradicional

     

  • Leitura Superficial

     

  • Leitura das linhas ou leitura horizontal

     

  • Decodificações lingüísticas: informações explícitas do texto

     

  • Procedimento mecânico

     

  • Assimilação do FAZER-SABER

     

 

 

2-Segundo passo: ( A semiótica só  encontra-se neste passo)

 

  • Leitura dos sentidos do texto

     

  • Leitura profunda

     

  • Leitura das entrelinhas ou verticalizada

     

  • Análise do texto. Desvelamento ( temas parciais a partir das figuras do texto)

     

  • Informações explícitas e implícitas

     

  • Ideologia do texto: ( intenção da obra)

     

  • Procedimento Reflexivo, desenvolvimento do raciocínio analítico( leitor crítico).

     

  • FAZER-CRER

     

  • Oposições semânticas

     

A grande questão é o fazer-crer, saber o que há de verdade no texto ( veridicção).

 

 

 

3-Terceiro passo: Neste passo haverá o interacionismo, centrado no leitor e também se deve  trabalhar a perspectiva rizomática.

 

  • Leitura ideológico-argumentativa

     

  • (RE) Contextualização do leitor ( encaixar em uma realidade)

     

  • Ideologia do leitor

     

  • Dar opiniões pessoais sobre o texto

     

  • Fase centrada no leitor

     

  • Interacionista

     

  • FAZER-FAZER( mudança de atitude ou comportamento)

     

Os textos selecionados deverão enfocar os mecanismos de construção de sentido estudado na parte teórica. A tematização será a principal metodologia.

 

 

Recursos:     

 

 

Cópias de textos fornecidos pelo colégio, obras literárias da biblioteca do aluno, retroprojetor  e o laboratório de informática.

 

 

 

 

Viabilidade de Implementação:

 

 

Uma vez que os recursos necessários sejam assegurados, a implementação não apresenta problemas de viabilidade, sendo garantida pelo compromisso de seus participantes. O ponto mais crítico da viabilidade poderá ser a falta de conhecimento de informática pelos alunos.

 

 Avaliação e Registro dos Resultados do Trabalho

 

 

 

Dar-se-á por meio de atividades e observação da eficácia das novas metodologias aplicadas em sala de aula por mim, pelos professores que aplicarem este material didático e o desempenho dos alunos no final do trabalho.

 

O registro resultará em um Artigo Científico que poderá versar sobre todo trabalho do PDE  e em estudos metodológicos  e ensino de Literatura no ensino médio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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